Causas, sintomas e tratamento da asma, dicas e conselhos para prevenir e evitar a asma, nomeadamente a exposição aos factores alérgenos que motivam a asma. Muita informação útil para obter melhor qualidade de vida e saúde.


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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Entendendo a asma

A asma é uma doença que afeta os pulmões. É a doença de longo prazo mais comum nas crianças, mas os adultos também podem ter asma. Asma causa episódios repetidos de chiado, falta de ar, dor no peito e tosse noturna ou de manhã cedo. Se você tem asma, ela estará presente sempre, mas você vai ter ataques de asma somente quando algo incomoda os pulmões.
Sabemos que, se alguém da sua família tem asma, você também será mais propenso a tê-la. Na maioria dos casos, não se sabe o que causa a asma, e não sabemos como curá-la. Você pode controlar a sua asma através do conhecimento dos sinais de aviso de um ataque. Assim, deve ficar longe de situações que possam provocar um ataque, e seguir o conselho do seu médico. Quando você controlar a sua asma, você não vai ter sintomas como sibilos ou tosse, você vai dormir melhor, não vai perder dias de trabalho ou escola, e poderá participar de todas as atividades físicas. Além disso, não terá que ir para o hospital. 

A asma pode ser difícil de diagnosticar, especialmente em crianças menores de 5 anos de idade. Exames físicos regulares, que incluem verificação de sua função pulmonar e verificação de alergias podem ajudar o seu médico a fazer um diagnóstico correto.
Durante um exame, o profissional de saúde irá fazer-lhe perguntas sobre se você tosse muito, especialmente à noite, e se os seus problemas respiratórios são piores após a atividade física ou durante um determinado período do ano. Os profissionais de saúde também irão perguntar sobre outros sintomas, como sensação de aperto no peito, chiado e gripes que duram mais de 10 dias. Eles vão perguntar-lhe também se os membros de sua família têm ou tiveram asma, alergias ou outros problemas respiratórios, e farão ainda perguntas sobre ao meio em que vive. O médico também irá perguntar sobre os dias de ausência da escola ou trabalho e sobre qualquer problema que você possa ter ao fazer certas atividades.
Um teste de função pulmonar, chamado espirometria, é outra forma de diagnosticar a asma. Um espirômetro mede a maior quantidade de ar que você pode exalar, ou respirar, depois de tomar uma respiração muito profunda. O espirômetro pode medir o fluxo de ar antes e depois de usar medicamento para a asma.


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Na asma, o fumo, ácaros, poluição e baratas são gatilhos

Fumo passivo
Fumo ambiental do tabaco é muitas vezes chamado "fumo passivo", porque é o fumo que se respira quando não se é fumador, e que ocorre porque uma segunda pessoa fuma nas proximidades. Pais, amigos e familiares de crianças com asma devem tentar parar de fumar e nunca devem fumar perto de uma pessoa com asma. Eles só devem fumar ao ar livre e não na casa da família ou no carro.
Eles não devem permitir que outras pessoas fumem em casa, e devem certificar-se de que na escola de seu filho é proibido fumar.

Os ácaros da poeira 
Os ácaros estão em casa de todas as pessoas, mas eles não causam ataques de asma em todas as pessoas.
Se você tem asma, os ácaros da poeira podem ser um gatilho para um ataque de asma. Para ajudar a prevenir ataques de asma, use protetores de colchão e use fronha para fazer uma barreira entre si e os ácaros da poeira. Não use almofadas, colchas ou edredons. Remova bichos de pelúcia e desorganização do seu quarto.

Poluição do Ar Externo
Poluição causada por emissões industriais e escapes de automóvel podem causar um ataque de asma. Preste atenção às previsões de qualidade do ar no rádio e na televisão e planeje suas atividades para quando os níveis de poluição do ar estejam baixos, já que a poluição do ar agrava a sua asma.

Baratas
Baratas e seus excrementos podem desencadear um ataque de asma. Livre-se de baratas em sua casa e mantenha-as longe, evitando expor comida e água acessivel. As baratas são normalmente encontradas em locais onde o alimento é ingerido e onde migalhas são deixadas para trás. Remova o maior número de água e fontes de alimentos que você puder, porque as baratas precisam de comida e água para sobreviver. Aspire ou varra áreas que podem atrair baratas, pelo menos a cada 2 ou 3 dias. Você também pode usar armadilhas para barata ou géis para diminuir o número de baratas em sua casa.

sábado, 13 de setembro de 2014

Como é tratada a asma

Você pode controlar a sua asma e evitar um ataque, se tomar o medicamento exatamente como o seu médico prescreveu para fazer, e evitando situações que possam causar um ataque de asma.
Nem toda a gente com asma toma o mesmo medicamento. Alguns medicamentos podem ser inalados, e outros podem ser tomados como uma pílula. Medicamentos para a asma surgem em dois tipos, de alívio imediato e controle a longo prazo. Medicamentos de alívio rápido ajudam a controlar os sintomas de um ataque de asma. Se você precisar de usar seus medicamentos de alívio imediato muitas vezes, deve consultar o seu médico para ver se você precisa de um medicamento diferente. Medicamentos de controle a longo prazo ajudam a ter menos e mais leves ataques de asma, mas eles não ajudam se você estiver a ter um ataque de asma.
Medicamentos para a asma podem ter efeitos colaterais, mas a maioria dos efeitos secundários são ligeiros e logo desaparecem. Pergunte ao seu médico sobre os efeitos colaterais de seus medicamentos.
O que importa sempre SABER é que você pode controlar a sua asma. Com a ajuda de seu médico, implemente o seu próprio plano de manejo da asma, de modo que você saiba o que fazer com base em seus próprios sintomas. Decida as pessoas próximas de si que devem ter uma cópia de seu plano de tratamento, principalmente para as crises de asma, de modo a que estas possam ajudar nestas alturas se for necessário. Tome o seu medicamento de controle a longo prazo, mesmo quando você não tem sintomas.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O que é um ataque de asma

Um ataque de asma ocorre nas vias aéreas do corpo, que são os caminhos que conduzem o ar para seus pulmões.
Como o ar se move através de seus pulmões, as vias aéreas tornam-se menores, como os galhos de uma árvore são menores do que o tronco da árvore. Durante um ataque de asma, os lados das vias aéreas nos pulmões incham, e as vias aéreas encolhem, entrando e saindo menos ar de seus pulmões, pelo que o muco produzido pelo corpo entope as vias aéreas ainda mais. O ataque pode incluir tosse, aperto no peito, chiado e dificuldade para respirar. Algumas pessoas chamam a isto um "episódio de um ataque de asma".
Um ataque de asma pode ocorrer quando você está exposto a algumas situações no ambiente, tais como ácaros e fumaça de tabaco. Estes são chamados gatilhos da asma. Alguns dos gatilhos mais importantes incluem:
- Fumo ambiental do tabaco (fumo passivo);
- Ácaros da poeira;
- Poluição do ar externo;
- Baratas;
- Animais de estimação;
- Bolor;
- Outros alérgenos.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Epidemiologia da asma

A asma constitui-se em uma emergência médica muito comum, compreendendo cerca de 5% dos atendimentos médicos nos serviços de emergência.
No Brasil, ocorrem anualmente cerca de 350.000 internações por asma, constituindo-se na quarta causa de hospitalização pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que corresponde a 2,3% do total de internações. 
Em muitos países, a mortalidade por asma aumentou a partir de 1960, com dois picos na incidência: década de 60 e de 80. Atingiu um platô e diminuiu a partir da década de 90. Essa tendência de declínio parece refletir um melhor manejo da doença.
No Brasil, a mortalidade por asma em adultos jovens variou de 0,276 a 1,034 / 100.000 ao ano. Houve aumento  no período de 1970 a 1992 em crianças e adultos jovens, seguida de estabilização e tendência de diminuição a partir da metade da década de 90.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Crise de asma

A crise de asma é causada por diferentes gatilhos que induzem inflamação  nas vias aéreas e provocam broncoespasmo. Esses desencadeantes variam de pessoa para pessoa e de momento para momento na história da doença. Os principais desencadeantes da crise asmática, identificados na prática clínica, são, alérgenos inalatórios, infecção viral das vias aéreas, poluentes atmosféricos, exercício físico, mudanças climáticas,  alimentos, aditivos, drogas e estresse emocional.  Menos freqüentemente, outros fatores podem contribuir como desencadeante: rinite alérgica, sinusite  bacteriana, polipose  nasal, menstruação, refluxo gastroesofágico e gestação.
O mecanismo pelo qual a limitação aguda do fluxo aéreo é desencadeada varia de acordo com o fator desencadeante. A broncoconstrição induzida pelos alérgenos resulta da produção de mediadores inflamatórios dependentes da liberação de imunoglobulina E pelos mastócitos. Entretanto, a broncoconstrição aguda pode também ocorrer devido à hiper-responsividade das vias aéreas a uma variedade de estímulos não-alérgicos. Nessa situação, os mecanismos envolvidos na bronconstrição aguda são, além dos mediadores inflamatórios, os reflexos neurais desencadeados por estimulação central e local. Qualquer que seja o fator desencadeante, a via final comum desse  processo resulta em contração da musculatura lisa das vias aéreas, aumento na permeabilidade capilar, extravasamento capilar, edema e espessamento da mucosa brônquica.
O estreitamento variável das vias aéreas, em decorrência da inflamação brônquica e do aumento do tônus brônquico, é característica da crise asmática e responsável pelo aumento da resistência ao fluxo aéreo, hiperinflação pulmonar e desuniformidade ventilação/perfusão. Com a progressão da obstrução ao fluxo aéreo na crise asmática grave, a insuficiência respiratória é consequência do aumento do trabalho respiratório, da troca gasosa ineficaz e da exaustão dos músculos respiratórios.

Saiba como prevenir a asma
Aceda a inúmeros artigos sobre a asma no índice

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Cromonas no tratamento da asma

Embora consideradas antiinflamatórias, a redução da hiper-responsividade brônquica observada com a utilização das cromonas é modesta. O nedocromil e o cromoglicato bloqueiam os canais de cloro da membrana celular dos mastócitos, eosinófilos, nervos e células epiteliais. Os canais de cloro são usualmente fechados, mas abrem-se quando existe ativação celular, com entrada de cálcio e degranulação dos mastócitos. As cromonas restauram os canais para a posição fechada, aumentando o limiar para sua ativação.
Ambas as drogas são seguras e têm raros efeitos colaterais. O nedocromil não está mais disponível em nosso meio e o cromoglicato tem como maior desvantagem a necessidade de ser administrado quatro vezes ao dia.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Corticosteróides sistêmicos no tratamento da asma

Prednisona ou prednisolona são os corticosteróides mais utilizados e, por terem meia-vida intermediária, induzem menos efeitos colaterais.
Os corticosteróides orais para controle podem ser necessários em alguns pacientes com asma persistente grave, não estabilizados com outros medicamentos.
Deve-se buscar a dose mínima suficiente para controlar cada paciente e administrá-la de uma só vez.
Uso em dias alternados pode reduzir os efeitos adversos.
Os corticosteróides sistêmicos são essenciais nas exacerbações quando não há resposta satisfatória aos broncodilatadores, devem ser usados precocemente, e preferencialmente por via oral. A dose, a duração do seu uso e a via de administração dependem da gravidade da crise, da história prévia de exacerbações graves, do uso prévio de corticosteróide e da dose do corticosteróide inalatório em uso corrente. Em pacientes com exacerbações leves, em uso de doses baixas de corticosteróide inalatório, a dose pode ser apenas aumentada.
Em crises graves ou em pacientes já em uso de doses elevadas de corticosteróide inalatório, corticosteróide oral ou parenteral deve ser empregado.

Tratamento da asma com corticosteróides inalatórios

Os corticosteróides inalatórios são os fármacos que oferecem melhor relação custo/risco/benefício para o controle da asma persistente. Sua utilização tem sido associada à redução da mortalidade e das hospitalizações por asma.
A terapia inalatória com corticosteróides na asma só foi possível com a introdução de agentes que reuniram máxima potência tópica e mínima biodisponibilidade sistêmica. Estas características foram alcançadas com os agentes lipossolúveis de alta afinidade ao receptor e rápida inativação na primeira passagem pelo fígado, após absorção sistêmica. Logo após o uso do corticosteróide inalado, parte da droga depositada na orofaringe é deglutida e absorvida. A biodisponibilidade sistêmica total é a soma das frações absorvidas do pulmão, trato digestivo e mucosa oral.
Existem, entretanto, diferenças de potência clínica quando as doses nominais das diversas preparações são comparadas: flunisolida. – triamcinolona < beclometasona < budesonida < fluticasona. Budesonida e fluticasona têm melhor índice terapêutico que os demais. Os dispositivos para administração podem afetar a potência terapêutica dos corticosteróides inalatórios. A budesonida por sistema Turbuhaler® tem deposição duplicada em relação ao aerossol dosimetrado, aumentando a eficácia clínica.
Consideram-se doses baixas/médias de corticosteróides inalatórios as inferiores a 800mcg de beclometasona/dia em adultos e 400mcg/dia em crianças, e, doses altas, acima desses valores.
Os corticosteróides inalatórios são usualmente utilizados duas vezes ao dia. Em pacientes graves, ou durante exacerbações, a freqüência poderá ser elevada para três ou quatro vezes ao dia.

Corticosteróides no tratamento da asma

São os fármacos de escolha no tratamento de manutenção dos pacientes com asma persistente. Após penetrar na célula, o corticosteróide une-se a um receptor, sendo então transportado ao núcleo, onde se liga a seqüências do DNA, resultando em indução ou supressão de diversos genes envolvidos na produção de citocinas, moléculas de adesão e receptores relevantes no processo da inflamação. Estudos de biópsias brônquicas em pacientes com asma demonstraram que os corticosteróides inalados reduzem o número e a ativação das células inflamatórias e a HR das vias aéreas. Enquanto a redução dos sintomas é rápida, melhora significativa da inflamação e da função pulmonar ocorrem em dias ou semanas, e a modificação da HR, ao longo de vários meses.

Tratamento da asma com xantinas

A teofilina e a aminofilina são broncodilatadores de baixa potência e elevado risco de efeitos colaterais.
Todavia, além de broncodilatadoras, as xantinas parecem ter alguma ação antiinflamatória, equiparável à dose baixa de beclometasona inalatória ou equivalente.
A aminofilina é uma opção secundária de broncodilatador para alívio imediato dos sintomas da asma. Seu uso como medicação de alívio deve restringir-se a pacientes hospitalizados, de preferência em infusão contínua.
As teofilinas de liberação lenta podem ser administradas como fármacos de controle, para evitar exacerbações. São superiores às de ação curta por determinarem menor oscilação dos níveis séricos, melhorarem a adesão e oferecerem melhor proteção contra a asma noturna. Entretanto, sua eficácia para o controle de sintomas noturnos é inferior à obtida com uso dos β2-agonistas de longa duração, por via inalatória.
A margem terapêutica das xantinas é muito estreita, isto é, a dose tóxica é próxima da dose terapêutica. Por outro lado, seus níveis séricos, devido ao seu metabolismo hepático, podem ser marcadamente afetados por diversos fatores, incluindo idade, dieta, doenças e interações com outras drogas, tudo contribuindo para a complexidade no uso seguro destas medicações. Entre as drogas utilizadas para tratamento da asma, as xantinas têm o maior potencial para toxicidade grave.
Sintomas gastrointestinais podem ser intoleráveis para alguns pacientes, mesmo nas doses terapêuticas usuais.
No início do tratamento os efeitos colaterais podem ser reduzidos por elevação gradual das doses. Náuseas, diarréia, vômitos, cefaléia, irritabilidade e insônia são comuns quando a concentração sérica excede 20mcg/ml, e convulsões, encefalopatia tóxica, hipertermia, dano cerebral e morte podem ocorrer em concentrações séricas maiores. Hiperglicemia, hipocalemia, hipotensão e arritmias cardíacas podem também ocorrer, especialmente após superdosagem aguda. Pacientes idosos e lactentes têm maior risco de toxicidade.
A bamifilina é uma xantina com menor incidência de efeitos colaterais (exceto reações de pele), mas faltam estudos comparando sua eficácia em relação à teofilina.

Tratamento da asma com anticolinérgicos

O brometo de ipratrópio tem um efeito broncodilatador que se deve à redução do tônus colinérgico intrínseco das vias aéreas.
Possui início lento de ação, com efeito máximo entre 30 minutos e uma hora após a administração. Sua ação broncodilatadora é inferior à dos β2-agonistas e sua utilização é limitada no manejo da asma a longo prazo. Na asma aguda grave, tem efeito adicional aos β2-agonistas com comprovada relação custo-efetividade. O brometo de ipratrópio é o tratamento de escolha para broncoespasmo induzido por betabloqueadores.

Tratamento da asma com Broncodilatadores

Os broncodilatadores mais usados na prática clínica são os β2-agonistas, que podem ser classificados em de curta ação, como o salbutamol, a terbutalina e o fenoterol, cujo efeito broncodilatador dura aproximadamente quatro a seis horas, ou de longa ação, como o salmeterol e o formoterol, com efeito de até 12 horas.
A maioria dos efeitos dos β2-agonistas é mediada pela ativação da adenilciclase e da produção intracelular de AMP cíclico (1). O β-receptor é constituído de sete domínios inseridos na membrana celular, disposto sem círculo.
Os β2-agonistas de curta duração estimulam domínios alcançados externamente, enquanto os de longa duração devem penetrar na membrana para estimular lateralmente o receptor, daí seu início retardado de ação. O formoterol exibe os dois mecanismos de ação, sendo de longa duração e de início rápido de ação.
O β-receptor é acoplado à proteína G e sua ligação leva a subunidade da proteína G a estimular a adenilciclase e a produção de AMP cíclico. Este ativa a proteína quinase A, que produz a maioria dos efeitos celulares do β-receptor.
Os β2-agonistas são parcialmente seletivos para os receptores β2, concentrando o seu efeito sobre a musculatura brônquica e poupando o sistema cardiovascular de paraefeitos indesejáveis.
Os broncodilatadores β2-agonistas de curta ação são as medicações de escolha para o alívio dos sintomas da asma, enquanto os β2 -agonistas de longa ação são fármacos que, associados à terapia de manutenção com corticosteróides inalatórios, atuam para o melhor controle dos sintomas.
O emprego de β2-agonistas de curta duração como tratamento isolado de manutenção não é recomendado; o uso freqüente (mais de duas vezes por semana) indica necessidade de tratamento antiinflamatório.
Quando administrados por via inalatória, esses medicamentos resultam em menos taquicardia e tremor. Raramente desencadeiam arritmias graves.
As opções disponíveis para uso inalatório são: solução para nebulização, aerossol dos imetrado e inaladores de pó. Em doses elevadas, podem contribuir para hipopotassemia. Efeitos centrais são incomuns e incluem cefaléia, ansiedade, sedação, fadiga, náuseas e vômitos. Pode haver hipoxemia, em geral discreta, por piora da relação ventilação/perfusão. Em tratamento intensivo, os β2-agonistas têm sido empregados por via endovenosa ou subcutânea.
Os β2 de longa duração têm efeito por até 12 horas. Duas preparações são disponíveis: salmeterol e formoterol.
O início de ação do formoterol é rápido, semelhante ao dos β2 de curta duração (um minuto), ao passo que o salmeterol tem início de ação em 20 minutos, com pico de efeito entre duas e três horas, aproximadamente.
Esses medicamentos não têm ação antiinflamatória, não devendo ser usados isoladamente para o tratamento da asma.
Em caso de crise, um β-2 de ação rápida deve ser preferido, não se reduzindo seu efeito se tiver havido uso prévio de β2 de ação prolongada (locais distintos de estimulação do β-receptor). Entretanto, há evidências de que o formoterol induza melhor controle da asma que os β2 de curta ação, podendo ser também utilizado como droga de resgate.
À semelhança dos agentes de curta duração, pode-se demonstrar tolerância em nível laboratorial, com perda do efeito broncoprotetor, com o uso contínuo destes agentes, porém a importância clínica não foi estabelecida.
Os efeitos adversos dos β2 de ação prolongada são semelhantes aos dos β2 de curta duração e incluem tremor, taquicardia e hipocalemia.
Vários estudos demonstraram que a adição de β2-agonistas de ação prolongada ao corticosteróide inalado leva a melhor controle da asma do que a duplicação da dose do corticosteróide.

Asma induzida pelo exercicio fisico

Os termos asma induzida pelo exercício (AIE) e broncoconstrição induzida pelo exercício (BIE) têm sido usados como sinônimos para expressar a resposta broncoespástica que alguns indivíduos apresentam ao se exercitarem.
Quarenta a noventa por cento dos asmáticos e 40% dos pacientes com rinite alérgica apresentam BIE.
A patogênese da BIE está associada ao fluxo de calor e água da mucosa brônquica em direção à luz do brônquio, com o objetivo de condicionar grandes volumes de ar que chegam ao trato respiratório inferior.
O exercício é o único precipitante natural da asma que induz taquifilaxia.
Cerca de 45% dos pacientes com AIE apresentam um período refratário característico, durante o qual a manutenção do exercício não causa broncoespasmo.
Quando o exercício é repetido após intervalos de 30 a 90 minutos, verifica-se que a broncoconstrição diminui ou não ocorre. A presença de um período refratário parece ser independente do grau de obstrução provocado pelo primeiro teste e inversamente relacionada ao tempo que separa as duas provocações consecutivas pelo exercício.
Outro aspecto controverso relacionado à BIE é a existência ou não de uma resposta tardia ao exercício (três a 12 horas após). Alguns estudos observaram uma resposta tardia ao exercício, com uma prevalência variando em torno de 10% a 89%. O diagnóstico de BIE é feito através da história clínica e do teste de desencadeamento com exercício monitorado pela função pulmonar.
A obstrução da via aérea costuma iniciar logo após o exercício, atingindo seu pico entre cinco e 10 minutos, após o que há remissão espontânea do broncoespasmo, com melhora total da função pulmonar em torno de 30 a 60 minutos. Os pacientes em crise de asmaprecipitada pelo exercício apresentam os mesmos sintomas observado sem crises desencadeadas por outros estímulos.
A presença de BIE pode ser demonstrada em nível laboratorial através da queda de 10% do volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) em relação ao VEF1 basal, pré-exercício.
Alguns autores consideram que uma queda de 15% do VEF1 define um diagnóstico mais preciso.
Alternativamente, pode ser usado o pico de fluxo ou ainda a resistência e a condutância específica das vias aéreas.
Beck et al. demonstraram que alterações na resistência pulmonar e no VEF1 produzem índices equivalentes de variação da função pulmonar induzida por exercício.
O objetivo do tratamento de pacientes com BIE é a profilaxia.
Episódios de BIE podem ser atenuados com a elaboração de uma escala personalizada de aquecimento antes da realização de um exercício físico vigoroso. O controle mais efetivo, entretanto, é obtido com medicações.
O primeiro passo no manejo da BIE deve ser o controle da asma subja-cente.
O tratamento regular da asma com corticóide inalatório costuma reduzir a magnitude da BIE em 50%.
Contudo, muitos pacientes necessitam de tratamento adicional.
Os β2-agonistas inalatórios de curta duração, se utilizados 15 a 30 minutos antes do exercício, inibem a BIE.
A duração desse efeito protetor é de quatro horas.
Os antileucotrienos também protegem de forma satisfatória a BIE, e seu uso regular parece não estar associado com tolerância e redução de seu efeito protetor. Os β2-agonistas inalatórios de longa duração podem ser usados para impedir a BIE, porém a duração desse efeito protetor pode diminuir com o uso continuado.
As cromonas inalatórias atenuam a BIE em alguns pacientes. Seu efeito protetor usualmente dura em torno de duas a três horas.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Medicamentos mais utilizados para tratamento da asma

Os medicamentos para asma podem ser divididos em duas categorias, conforme o objetivo da sua utilização
  1. fármacos para melhora dos sintomas agudos (β2-agonistas com rápido início de ação, brometo de ipratrópio e aminofilina);
  2. fármacos para manutenção, usados para prevenir os sintomas (corticosteróides inalatórios e sistêmicos, cromonas, antagonistas de leucotrienos, β2-agonistas de longa duração e teofilina de liberação lenta).

Indice de todos os artigos do blog sobre ASMA

Para se tornar mais fácil localizar os artigos deste blog relativos a tudo o que diz respeito a ASMA, aqui fica um índice com todos os artigos:
  1. Os sintomas da asma
  2. O que é a asma
  3. Diagnóstico da asma
  4. Objectivo do tratamento da asma
  5. Anticolinérgicos no tratamento da asma
  6. Perguntas importantes para diagnosticar a asma
  7. Diagnóstico da alergia associada à asma
  8. Classificação da gravidade da asma
  9. Etapas do tratamento de manutenção da asma
  10. Asma no idoso
  11. Asma na gravidez
  12. Asma e cirurgia
  13. Asma no lactente
  14. Medicamentos preventivos para asma (anti-inflamatórios)
  15. Imunoterapia da asma
  16. Como prevenir a asma
  17. Como se manifesta a asma
  18. Causas das crises de asma
  19. Avaliação da asma nas crianças
  20. Tratamento da asma nas crianças
  21. Medicamentos mais utilizados no tratamento da asma
  22. Asma induzida pelo exercicio fisico
  23. Tratamento da asma com broncodilatadores
  24. Tratamento da asma com anticolinérgicos
  25. Tratamento da asma com xantinas
  26. Corticosteróides no tratamento da asma
  27. Tratamento da asma com corticosteróides inalatórios
  28. Corticósteroides sistêmicos no tratamento da asma

Tratamento da asma nas crianças

O tratamento depende da gravidade e da natureza da doença: esta deve ser controlada para que possam ser prevenidos os sintomas incómodos, durante o dia e a noite, evitando crises graves, com pouca ou  enhuma necessidade de medicação de alívio, tendo a função respiratória normal ou próxima do normal. Se for diagnosticada alguma alergia específica, deve ser evitado o contacto com o agente causal.

Antes de dar qualquer medicamento a uma criança, saiba para que serve, como e quando deve ser tomado a duração do tratamento e seus efeitos negativos.

Para cada criança, deve escolher-se o sistema de inalação mais adequado:
As crianças até aos cinco anos de idade deverão usar um aerossol pressurizado, com uma câmara expansora e máscara facial (<2 anos) ou peça bucal (>3 anos).
Acima dos cinco anos de idade, podem ser utilizados os inaladores pressurizados, com a ajuda de câmara expansora ou inalador de pó seco (s/crise).
As crianças em crise aguda, devem preferencialmente utilizar um aerossol pressurizado com câmara expansora ou nebulizador.
Em crianças em idade escolar, o uso do Peak Flow Meter no domicílio é muito importante no acompanhamento da doença, e quando a criança pressente que vai entrar em crise.

Avaliação da asma nas crianças

Muitas vezes torna-se necessário ir a uma Consulta de Especialidade, onde, para além da história da doença e exame físico da criança, são realizadas várias provas:

Testes cutâneos

São realizados com várias substâncias, alergénios, mesmo em crianças muito pequenas para identificar a alergia.

Estudo da função respiratória

Pode ser realizado com um aparelho muito simples (Peak Flow Meter), ou outros mais complexos. Serve para avaliar o grau de obstrução dos brônquios. Necessita da colaboração da criança.

Exames ao sangue, fezes e radiológicos

Sempre que indicados.

Causas das crises de asma

As crises de asma podem ser desencadeadas ou agravadas, por estímulos específicos (alergénios) ou inespecíficos.

Principais estímulos:
Específicos – São substâncias que podem dar sintomas nas crianças alérgicas e não causam sintomas nas não-alérgicas.
Alergénios – São importantes desencadeadores de asma:
  • Ácaros do pó da casa (no quarto de dormir, nas roupas de cama, nas alcatifas e nos colchões)
  • Pêlos de animais
  • Pólens de algumas plantas
  • Fungos (bolores)
  • Baratas
  • Alguns alimentos Inespecíficos – Podem desencadear ou agravar os sintomas de asma, tanto nas crianças alérgicas como nas não-alérgicas:
  • Infecções víricas
  • Irritantes (cheiros activos, perfumes, vernizes, tintas, vapores de cozinhados; outros químicos como pó de talco; poluentes atmosféricos)
  • Fumo de tabaco – Tem sido descrito um aumento da incidência da asma em crianças de mães fumadoras
  • Variações climáticas (alterações da temperatura, de pressão, humidade, assim como ventos fortes)
  • Exercício – Uma grande percentagem de crianças asmáticas alérgicas tem sintomas de asma após esforços. Esforços de longa duração (corridas de fundo), são os que mais provocam a asma, ao contrário da natação que é geralmente bem tolerada
  • Refluxo gastroesofágico – É comum em doentes com asma; os sintomas predominam durante a noite.
  • Rinossinusite

Como se manifesta a asma

As vias aéreas das crianças asmáticas, em resposta aos vários estímulos, tornam-se mais estreitas e inflamadas e pode surgir:
  • Tosse
  • Sensação de aperto no peito
  • Ruídos agudos ao respirar (“chiadeira” ou “pieira”)
  • Falta de ar
Habitualmente, esta doença é facilmente reconhecida, por este conjunto de sintomas, que é característico. Contudo pode ser difícil reconhecê-la, principalmente nas crianças mais pequenas, porque estas podem não apresentar as manifestações habituais. A tosse, sobretudo de manhã e à noite, aperto no peito após esforços físicos, ou uma mais rápida respiração, podem ser a única manifestação da doença.
Os sintomas podem aparecer esporadicamente (intermitentes), ou serem quase diários (persistentes), com intensidade variável que pode ir de ligeira, moderada ou grave.
Índice dos artigos relativos a Asma